A natureza deste trabalho é cheia de contradições: é céu ou inferno, é alegria ou tristeza, é correria ou calmaria, é planejamento ou improvisação, é disposição ou indisposição, etc. Traz à tona o racionalismo de Aristóteles, aquele da busca inerente pelo racional e pelo consenso natural do curso do pensamento. Te apresenta diariamente uma contraposição de conceitos, desafios e situações que dialogam para se chegar a um objetivo prático e que traga resultados concretos e eficazes. No final todos têm que estar convencidos que o que foi decidido e executado foi o melhor.
Levamos nossas vidas numa mochila e numa mala, conduzindo nossos sentimentos por caminhos desconhecidos, muitas vezes sombrios e solitários, encantando e desencantando a nós mesmos e aos que nos cercam. Por onde passamos deixamos amigos, amores, atos de bondade, atos de filha da putagem, alegria, desconforto e conforto, conquistas e derrotas, mas quanto mais se avança, mais a incerteza se torna a nossa companheira, mais a nossa individualidade se exalta e, por fim, abandonamos nossa vida social em aspectos básicos. Vagamos por todos os lados como nômades em busca da próxima cidade, viciados, à caça de uma "nova aventura".
Em nossa bagagem carregamos o essencial, geralmente algo que nos faça preservar nossa identidade e nos faça resgatar um índice do conforto que deixamos em nosso lar. Em nossa "bagagem interior" levamos o que aprendemos da última viagem. Tudo o que nos foi compartilhado, tudo o que foi vivido junto com as pessoas que conhecemos, é o que vai permanecer em nossa memória até o nosso último suspiro.
Nossas virtudes são nosso maior trunfo. São o que nos torna o que somos. Desafiamos nosso controle emocional nos expondo a situações de extremo limite, sempre mantendo a boa comunicação não importa em que lingua seja e, principalmente, sustentando 24x7 a bandeira do nosso empregador. Você não fala por si só e suas preferências não podem interferir na imagem da companhia. Decisões de última hora são constantes e algumas vezes desconcertantes. A hora-extra é proporcional ao volume de responsabilidade assumido. A frase "não cagar na entrada mas cagar na saída" nos acompanha 100% do tempo e nos força a "engolir" sapos, lagartos, jacarés e elefantes.
Aos que ficam, por todos os lados deixamos saudade, "viuvêz", e-mail, telefone, facebook, na promessa de que sigamos, nem que de maneira remota, mantendo uma chispa da amizade que por algum tempo foi uma chama incontrolavel.
Voltamos para casa como se voltassemos de uma guerra. Nossas esposas/namoradas não estão mais conosco, nossos filhos não nos reconhecem como pais, nossos carros estão empoeirados e com a bateria descarregada, a decoração está diferente, a sua conta bancaria não está tão gorda como você desejaria que estivesse... E você pensa que merece alguma coisa por todo o sacrificio que fez. Mas a vida olha pra você e com desdém lhe faz a seguinte pergunta:
Quem disse que você merece alguma coisa?
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"Esta noite a maioria das pessoas chegará em casa com cães pulando e crianças gritando. As esposas perguntarão como foi o dia e à noite todos adormecerão. As estrelas sairão de seus esconderijos diurnos. E uma delas, a mais brilhante de todas, será a ponta da asa do meu avião."
Ryan Bingham, personagem de Jorge Clooney no filme Up In the Air
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"Esta noite a maioria das pessoas chegará em casa com cães pulando e crianças gritando. As esposas perguntarão como foi o dia e à noite todos adormecerão. As estrelas sairão de seus esconderijos diurnos. E uma delas, a mais brilhante de todas, será a ponta da asa do meu avião."
Ryan Bingham, personagem de Jorge Clooney no filme Up In the Air
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