quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Redes Sociais, Ou, Defendendo Minha "Bandeira de mim mesmo"

"O pessimismo que nos torna paranóicos é o mesmo que nos torna otimistas ao menor sinal de resignação." Daniel Costa

Tenho aprendido a respeitar a todos, procurando entender seus contextos desenvolvendo minha porção social de empatia. Existe uma ética positiva nas redes sociais, principalmente quando deixamos de ser puramente anônimos e passamos a "defender" nossa "bandeira de nós mesmos". Este, é você. Não dá pra disfarçar. É certo que nem todos vão te entender, gostar de você, te seguir, mas estão aprendendo a te respeitar e a te conhecer melhor. E, quanto mais VOCÊ, você for, mais forte será sua "bandeira de si mesmo", quer seja interessante ou não.

Quase sempre sabemos identificar o que sentimos e, quer seja ético ou não, quase nunca sabemos  ou sim?  como devemos nos portar com respeito ao que pensamos sobre os outros, principalmente quando nos capacitamos a ver fatos e opinões sob distintos ângulos. Aprendemos a escutar versões, a compreender motivações, a estudar movimentos e atitudes, e a mudar a impressão sobre um determinado tema, informação ou ocorrência, desde níveis insignificantes a níveis catárticos ou epifânicos, e, com isso, nos tornarmos mais completos/xos no nosso trato pessoal e social.

O ser humano, a partir da idade em que se dá conta de que vive em sociedade, desenvolve um grande desejo de fazer a diferença. Pode ser a diferença egoísta, com um fim em si mesma, ou a diferença social, que traz benefício a todos. Como naquele exemplo do menininho tímido, que sonha em salvar seus colegas de escola de um incêncio e, no final, ser recebido como um herói por todos e ainda ganhar um beijo da menina mais linda da escola, começamos pela diferença egoísta, cuja primeira pergunta sempre é: isso me faz bem?  que deriva  O que posso ganhar com isso?  olhando pro lado  Está alguém vendo o mesmo que eu?  compartilhando  Isso pode ser compartilhado?  surge o idealismo  E se todos tivermos o mesmo objetivo de bem comum podemos fazer a diferença efetivamente?  e pondo os pés no chão  Como efetivar essa diferença? -ou, validar essa idéia? É claro que não pensamos nessa sequência e com estes valores de forma natural. Eu mesmo não penso assim sempre! Mas tenho aprendido a pensar com essa estrutura no meu cotidiano, aplicando isso em tudo. Se aprendessemos a pensar sempre no bem comum, não sería essa uma condição válida para viabilizar uma ou mais idéias que possam revolucionar o bem comum?

Sabemos que sozinhos não temos nenhum poder, ao contrário da mobilização, que tem grande poder. Um grupo de pessoas organizadas encontra voz ativa, ou, pelo menos, a atenção suficiente para que seja escutado, conseguindo estimular diálogos e chamar atenção sobre temas de interesse comum. O que confirma a existência de uma mobilização, é quando a mesma passa a receber reconhecimento politico e aderência de membros. E isso acontece quanto melhor estruturada for sua organização, quanto mais claro for o seu discurso, quanto mais fundamentados forem os seus objetivos e quanto mais desenvolvida for a sua articulação política.

Temos exemplos de vários tipos de mobilização, alguns não oficiais e outros oficiais, que vão desde passeatas, abaixo assinados e movimentos populares, a entidades de classe, sindicatos, congregações religiosas, partidos políticos, clubes, ONGs, organizações internacionais, etc. Entender a dinâmica de cada grupo, suas relações internas e suas relações com interesses de outros grupos, deve ser o próximo passo dos agentes mobilizadores.

O momento é de abundância! Abundância de gente, de conhecimento e de informação. Todos têm acesso a normas, regras, leis, processos, técnicas e tecnologia. Coisas que não sabiamos que existiam, passaram a estar disponíveis oficialmente — ou clandestinamente, não importa  a um "click" de distância. Isso começou no fim do século passado, com a internet, e foi potencializado com as redes sociais. Temos visto a conversão da cardinalidade das relações entre influenciador e influenciado, líder e liderado, representante e representado, repressor e reprimido, em uma multipolaridade de relações.

Atualmente, o que mais tem sofrido o impacto do advento das redes sociais, é o potencial do poder de mobilização que os agentes mobilizadores dispõem. Atráves das redes sociais governos tiranos foram expostos, ditadores derrubados, fascistas desmascarados, mídia manipuladora exposta, atos anti-diplomáticos passaram ao domínio publico, fraudes políticas e financeiras foram descobertas e uma absurda usurpação dos direitos humanos encontrou como aliada a pior das posturas: a nossa conivência.

Por mais que se crie leis para controlar e aprisionar a disseminação da informação, ditadores, governantes, e a própria mídia vêm descobrindo que não existe limite para o "Acesso à Informação". Atualmente, é a "lei" da informação que rege a nova ordem mundial e qualquer deslize mínimo passa a ser de dominio público. A transformação social e o redesenho da ordem mundial está acontecendo, não por forças militares e conglomerados econômicos especulativos, mas pela revolução das massas informadas. Lentamente a massa está deixando de ser ignorante, aprendendo a trilhar o próprio caminho, preparando as próximas gerações com conhecimento e consciência de seu papel social.

Minha experiência com a Rede Social tem sido reflexo de tudo isso. Tenho sido observador, as vezes experimentador, as vezes influenciador e as vezes influenciado. Não estou preocupado em medir êxitos, índices de influência, mas em saber até onde as pessoas se importam umas com as outras e, principalmente, se têm condições de acompanhar as tendências e refletir, conscientes, as decisões que estão tomando.

Como Observador, tenho me mantido atendo às tendências dos grupos de informação e seus formadores de opinião, bem como seus respectivos seguidores. Inicialmente, me preocupava muíto em demonstrar "curtir" algo no facebook, ou "seguir" determinada pessoa no twitter, já que isso não sería mantido em sigilo. Isso podería "significar" minhas tendências ou preferências. Mas depois percebi que as pessoas a quem sigo e os artigos que "curto", não são, necessariamente, representantes do que eu penso, mas sim os componentes que formam minha opinião, quer a favor, neutro, ou contra um determinado assunto. "Curtir" passou a ser o meu novo bookmark. "Seguir" alguém passou a ser apenas mais uma fonte de referências. Por isso, quanto mais gente que pensa diferente de mim, eu seguir, mais clara será minha visão e, mais completa será minha opinião, sobre qualquer tema em evidência. Também não excluo meu olhar voyeur de quem vasculha a vida alheia.

Como Experimentador, ainda não tenho muita experiência. Tenho me restringido a expressar-me de maneira singela e singular, sobre temas que muitas vezes podem não encontrar respaldo e apoio alheio, mas que me servem de termômetro de mim mesmo, para que eu entenda meu contexto, sem necessáriamente causar impacto ou interesse de quem me segue. No futuro vou olhar pra traz e ver meu histórico e entender melhor o que me levou a tal ponto.

Como Influenciador, cada momento, foco em uma audiência. Para cada uma procuro entender o tipo e a profundidade da informação que devo oferecer. Por audiência entendo idade, gênero, raça, credo e principalmente o nível de relacionamento que mantenho com o público alvo.

Como Influenciado procuro ser condescendente com o que é ético, nem sempre concordando, mas procurando participar quando vejo importância em respaldar meu influenciador sobre um tema que me pareça relevante, que mereça a minha atenção ou que possa interessar à minha rede de amigos/conhecidos.

Nos interessamos por pessoas de perfis mentais mais compatíveis com os nossos, e principalmente, pelos que têm perfis mais fáceis de discernir. Subconcientemente classificamos os outros como bem ou mal humorados, trágicos ou otimistas, sensiveis ou insensíveis, burros ou inteligentes, influenciados ou influenciadores, emocionais ou racionais, exibidos ou discretos, informados ou a procura de informação, e os agrupamos por prioridade. Quando seguimos alguém que manja sobre determinado assunto, o seguimos como se fosse um guru, ou quem sabe alguém que seja pura e simplesmente divertido, descontraído ou informativo, tudo isso com o fim de alimentar nossa sede por conhecimento e entretenimento.

Me toma de curiosidade e deslumbramento, ver tal revolução que as redes sociais estão provocando no relacionamento entre pessoas. Acredito que é pra melhor! Estamos respeitando mais os limites entre nós mesmos e o nosso próximo, e principalmente melhorando a qualidade de expressão de nossas opiniões, valorizando mais nossas idéias e defendendo honradamente a "bandeira de nós mesmos", aprendendo quando, onde e como colocar nossas opiniões. Também estamos virando fiscais -pra bem e pra mal- de nós mesmos e da vida alheia, entendendo que esse é o preço da participação. Por fim todos temos várias facetas e nada mais natural que nos encontremos como uma "metamorfose ambulante" em constante evolução. E, principalmente, sempre compantilhando e unindo nossa rede de amigos, conhecidos e seguidores.

Nos vemos por aí!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

10 anos mais jovem: um motivo pra reflexão

(Este post tinha sido escrito, originalmente, sob a influência da euforía das eleições presidenciais de 2010. Resolvi apaga-lo e reescrevê-lo acrescentando e retirando tópicos que não me agradaram. Espero que goste de re-lê-lo.)

Quem não gosta de escutar da boca dos outros que você aparenta ser muito mais jovem do que realmente é? Por incrível que pareça, isso me incomodou por muitos anos. Hoje me pergunto o porque disso, já que, atualmente, me encho de orgulho quando me dão até dez anos a menos de idade.

Recentemente me dei conta que não havia prestado muita atenção na minha transição para a vida adulta, e que havia ignorado tudo o que me fazia lembrar o quanto já havia vivido. Vivi a vida muito intensamente e com isso deixei de cultivar coisas que aprendi durante o processo. Dentre elas a da simplicidade em homenagear minhas memórias buscando entender a origem das idéias que forjaram meus paradigmas e semearam minhas paixões. Hoje, muitas tornaram-se referência da minha vida adulta e, destas, algumas ainda conseguem ser fiéis em reproduzir a alegria, o contentamento, a euforia, o odor, o sabor e a expectativa do momento em que passei por elas.

Aparentar dez anos mais jovem me traz a oportunidade de apreciar o frescor da juventude e tirar vantagem da experiência. Decidi deixar de tergiversar sobre minha idade e passar a encarar alguns fatos que influenciaram a minha história.

Como entender uma geração?
Para entender uma geração é preciso entender os paradigmas que a referenciam. Para a análise de uma geração nascida no último século é preciso conhecer alguns itens rotineiros que, muitas vezes, passam despercebidos: a roupa que se veste, a música que se escuta, o livro que se lê, a comida, a bebida e o remédio que se consome, os veículos motores que se pilota, os veículos noticiários onde se busca a informação, as tendências cinematográficas, o conteúdo da TV, os jogos de videogame, o esporte que se pratica, os aparatos que se usa para se comunicar e as relações sociais mantidas através dos símbolos de consumo. Esses paradigmas se encontrarão arraigados no fluxo cotidiano e, dependendo do grau de dependência e de relação com eles, se obterá o perfil da geração a que se refere.


Entendendo a minha geração

Para entender minha geração é importante criar um contexto. O contexto em que me baseio é ambientado nos lugares de minha infância e adolescência e podem ter características peculiares de minha classe social, de minha igreja, da cidade onde morei, do bairro e do convívio familiar. Portanto, esse texto deve ser tomado como um exercício, porque não pretende ser conclusivo para quem não viveu o contexto acima descrito. Ainda assim ele reflete os anseios do povo, das grandes metrópoles brasileiras e grandes cidades do interior do país na época em questão.


70's - 80's 

Nos "tempos da ignorância total", quando a internet era relegada aos serviços de pesquisa, investigação e trânsito restrito de informações de inteligência do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, uma de suas divisões, a ARPA (Agência de Pesquisas em Projetos Avançados), criou uma rede de comunicação chamada ARPAnet (1969), uma rede interna que unificava a troca de informações entre bases militares Norte-Americanas com o intuito de que o Pentágono não ficasse vulnerável a um ataque soviético. Isso se deu durante a maior guerra ideológica do século XX: a Guerra Fria. Com o tempo esse acesso restrito passou a ser de acesso privilegiado dos universitários Norte-Americanos, e lentamente, passou a disseminar-se por toda a norte-américa e, posteriormente, a todo planeta, resultando no que chamamos hoje de Internet, a rede internacional de computadores conectados planeta afora.


Nesta época a única coisa que nos "conectava" em comunidades eram os assuntos que escutávamos no rádio, líamos nos jornais e revistas, e assistíamos na televisão. Sair na rua para brincar estava tornando-se cada dia mais perigoso e um privilégio de poucos dentre os que viviam nas grandes cidades. Por isso terminávamos por nos reunir para brincar nas casa uns dos outros. As atividades se resumiam a assitir filmes VHS alugados ou gravados da televisão, jogar videogame, colecionar figuras e objetos de personagens da televisão e esporadicamente fazer alguma brincadeira de rua. Quando havia uma grande estréia iamos ao cinema; muitas vezes em bando. O computador ainda era uma raridade e quem tinha um acabava usando-o como um console de jogos mais sofisticados.

Comungar uns com os outros nossas expectativas, gostos, descobertas e sonhos era limitado pelo nosso enlace físico, lingüístico e social, restrito ao nosso contexto diário, através de reuniões esporádicas com parentes, colegas de escola, moradores e associações de bairro, na empresa, na igreja, e muitas vezes limitados a temas exclusivos da nossa comunidade, da nossa cidade ou sobre o "país do futuro". A única maneira de saber sobre o planeta e sobre as coisas que não estavam tão ao nosso redor era através do rádio, da tv, dos jornais e das revistas. Nessa época, havia um misto de confiança (na grande massa) e desconfiança (na elite) em tudo o que se dizia nesses meios de comunicação e, dependendo da classe social, credo, filiação partidária ou função, você podia confiar ou não num veículo de comunicação, ser atacado ou ovacionado por algum veículo de imprensa e ser obrigado "ou não" a engolir alterações em fatos com respeito a políticos, governo e celebridades, nada muito diferente de décadas anteriores ou da presente. Era uma época entre a decadência e o fim da Ditadura e qualquer movimento de contestação ainda era encarado como conspiratório, reacionário e extremista. Entretanto, já era bem vindo pela massa jovem e incauta que se revoltava.

A poucos anos do final da ditadura, com campanha para as eleições diretas, a economia estava caótica o "país do futuro" sem futuro e a minha geração parecia perdida, sem rumo e sem saber o que fazer com a liberdade que vinha conquistando a cada dia. A especulação financeira assolava a economia do país e a inflação comia, da noite para o dia, as nossas economias. Fodidos, mesmo assim, tínhamos a segurança de que a liberdade tinha vindo pra ficar, o que deflagrou uma juventude rebelde dissoluta em drogas e putaría, marcando o nosso "Woodstock", onde mais de 1 milhão de pessoas participaram durante 10 dias seguidos: o Rock in Rio. O Rock in Rio foi o grito de liberdade, a expressão máxima da geração que lutou pelo direito de liberdade de expressão e tratou de revolucionar assuntos como matrimônio, emprego, carreira, educação, dinheiro, consumismo, política, violência, sexualidade e drogas.

90's - 2000's
O final da guerra fria foi o marco revolucionário da segunda metade do século, onde gerações cansadas de serem controladas e massacradas por regimes autoritaristas, mostraram que socialismo não é a solução das diferenças, que a distribuição de renda deveria ser fruto de equilíbrio econômico e de políticas transparentes que proporcionassem oportunidades igualitárias.

A euforia da liberdade levou à dissolução dos costumes e ao hedonismo extremo, coisas, porém, que não durariam muito, porque, para a maioria, a água já estava "batendo na bunda". Não muito tempo depois, essa geração pós-ditadura, em meio a uma "ressaca da vitória", teve que "subir as calças" rapidamente e, meio desengonçada, teve que se adaptar ao ritmo da evolução do microchip. A abertura do mercado nacional para a competição com os outros mercados do planeta, mais estruturados e com parques e processos industriais menos obsoletos, nos pegou de "calças curtas". Para competir com países onde haviam os profissionais mais bem preparados do mundo, sobrecaiu nos ombros dessa geração desprevinida e despreparada, uma revolução sem armas. Além da desalienação tardía dessa juventude, a próxima década (90's) exigiría uma adaptação dolorida e tortuosa, que levaría muitos dos da minha geração a uma participação social e política pouco ou nada efetiva, consequência do seu esforço em superar o déficit na qualificação profissional que o país oferecia por conta de uma educação paternalista e antiquada, fomentada por governantes que ignoraram, propositadamente, a evolução tecnológica em várias áreas importantes do país.

De Rock "Revolucionário" oitentista, a trilha sonora dessa geração passou a ser o grunge, gênero musical que expressava o sentimento generalizado que vigorava nessa época e que daria sentido ao sentimento de vazio e sem-rumo do pós-liberdade (Nota: o grunge tem influência de outra geração (a geração X) no seu país de origem, os EUA, mas caiu como luva ao chegar no Brasil poucos anos depois das diretas no inicio da decada seguinte). O sentimento de derrota e de culpa por descobrir que foi enganada e privada da verdade durante muito tempo, além de não haver a possibilidade de fazer nada efetivo para mudar isso, tornou essa geração depressiva e desmotivada, uma sombra frágil daquilo que deveria ser, movendo pra mais tarde a cronologia dos acontecimentos etários típicos das gerações anteriores. Essa geração, ou se casou mais tarde, ou desfez seu matrimônio muito cedo, ou esta solteira até hoje, a fim de correr atrás do prejuízo. É a geração do conflito de gêneros, mas que participa ativamente da luta contra os pré-conceitos institucionais e, principalmente, é a geração da transição tecnológica. A geração que correu atrás do atraso e que preparou o caminho para que a geração seguinte, nascesse conectada. Os mais privilegiados, ou conseguiram educação fora do país, ou estudaram em escolas que procuraram aplicar o que existia de mais atual em métodos educacionais e, com isso, conseguiram resultados mais efetivos com menos idade.

A globalização nos fez crescer em diversas áreas e a falta de infraestrutura atraiu investimentos em diversas áreas do país. Não há como negar que tudo isso foi muito mais por conta das privatizações, que desestatizou o controle das comunicações e a disseminação de informação passou a ser inclusiva. As áreas que o estado detém, como a saúde, a segurança, a educação e a infraestrutura viária e urbana, ainda são extremamente precárias. Dinheiro publico é mal empregado quando não é desviado. Mas quando se fala de resultados da privatização temos uma "corrida da inclusão": nas últimas duas décadas, por exemplo, o celular passou de luxo da classe A, a símbolo de inclusão social, e a inclusão social passou a ser o tema principal das grandes economias de primeiro mundo, que saturadas em seus mercados internos e vendo-se sem caminho pra crescimento, passaram a olhar para os mercados emergentes como a solução para os seus problemas.

Neste momento o país vive uma de suas melhores fases. A pressão dos mercados externos, aliado às constantes crises econômicas mundiais, está atraindo grande volume de investimentos ao país. O Brasil está tendo a oportunidade de se confirmar como uma das maiores economias do mundo. Ainda temos muito trabalho a fazer. Reformar a política e os tributos. Colocar em dia as pendências sociais, provendo infraestrutura sanitária, nutricional e educacional, e a politização da população. Continuar a fomentar a inclusão social mesmo que ela tenha um grande cunho consumista inicialmente. Porque a partir do momento que a nova classe consumista amadurecer e aprender a investir ao invés de gastar, o país vai estar no ponto de maturidade ideal para se tornar uma grande potencia mundial.

Conclusão
Minha geração,  a geração do Cruzeiro, do Cruzado, do Cruzado Novo, do Cruzeiro Real e do Real foi a que viveu o ponto da virada, uma geração que se fodeu e que agora está madura pra aproveitar os frutos de um projeto econômico bem estruturado que foi o Plano Real, um dos planos econômicos mais bem sucedidos já implantados no país e que, por isso, tem suportado uma sucessão de governos corruptos. Com alguma sabedoria deu-se autonomia a órgãos governamentais onde se encontra gente comprometida com a estabilidade econômica do pais.

No lado humano, somos a geração que acompanhou a queda da ditadura e que viu as cortinas se abrirem diante dos nossos olhos. A geração que pensou mais no ser humano. A geração que carregou o país pra cima e que está comprometida com ele mais do que muitos desocupados que julgam a classe média como sendo uma classe elitista. A geração menos egoísta e menos egocêntrica. A geração que espera que o reacionismo de Esquerda aliado à corrupção, não faça pior do que a Direita e o Centro Direita fizeram até hoje pelo país. Claro que em meio a tudo isso há algumas exceções que fazem vista grossa.

Por fim, essa é a geração que hoje está consumindo e investindo. Estamos com a carreira a pleno vapor. O cinema, a TV e a música da nossa época estão sendo resgatados, o mundo do entretenimento está investindo pesado em tornar-nos nostálgicos ao vermos os grandes ícones culturais da nossa juventude em remakes, reboots e reloads, mostrando para a geração atual o que houve de bom na nossa época, assim como aprendemos o que foi bom para os da geração da Tropicália, após a sua revolução de 64, e para os da semana de arte moderna de 22.

Bora curtir nosso momento!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Trabalhar como consultor é viver como consultor

Trabalhar como consultor não é algo que você faz apenas oito horas por dia cinco vezes por semana. É um trabalho pseudo-empreendedor que te acompanha 24x7. Trabalhar como consultor é viver como consultor.

A natureza deste trabalho é cheia de contradições: é céu ou inferno, é alegria ou tristeza, é correria ou calmaria, é planejamento ou improvisação, é disposição ou indisposição, etc. Traz à tona o racionalismo de Aristóteles, aquele da busca inerente pelo racional e pelo consenso natural do curso do pensamento. Te apresenta diariamente uma contraposição de conceitos, desafios e situações que dialogam para se chegar a um objetivo prático e que traga resultados concretos e eficazes. No final todos têm que estar convencidos que o que foi decidido e executado foi o melhor.

Levamos nossas vidas numa mochila e numa mala, conduzindo nossos sentimentos por caminhos desconhecidos, muitas vezes sombrios e solitários, encantando e desencantando a nós mesmos e aos que nos cercam. Por onde passamos deixamos amigos, amores, atos de bondade, atos de filha da putagem, alegria, desconforto e conforto, conquistas e derrotas, mas quanto mais se avança, mais a incerteza se torna a nossa companheira, mais a nossa individualidade se exalta e, por fim, abandonamos nossa vida social em aspectos básicos. Vagamos por todos os lados como nômades em busca da próxima cidade, viciados, à caça de uma "nova aventura".

Em nossa bagagem carregamos o essencial, geralmente algo que nos faça preservar nossa identidade e nos faça resgatar um índice do conforto que deixamos em nosso lar. Em nossa "bagagem interior" levamos o que aprendemos da última viagem. Tudo o que nos foi compartilhado, tudo o que foi vivido junto com as pessoas que conhecemos, é o que vai permanecer em nossa memória até o nosso último suspiro. 

Nossas virtudes são nosso maior trunfo. São o que nos torna o que somos. Desafiamos nosso controle emocional nos expondo a situações de extremo limite, sempre mantendo a boa comunicação não importa em que lingua seja e, principalmente, sustentando 24x7 a bandeira do nosso empregador. Você não fala por si só e suas preferências não podem interferir na imagem da companhia. Decisões de última hora são constantes e algumas vezes desconcertantes. A hora-extra é proporcional ao volume de responsabilidade assumido. A frase "não cagar na entrada mas cagar na saída" nos acompanha 100% do tempo e nos força a "engolir" sapos, lagartos, jacarés e elefantes.

Aos que ficam, por todos os lados deixamos saudade, "viuvêz", e-mail, telefone, facebook, na promessa de que sigamos, nem que de maneira remota, mantendo uma chispa da amizade que por algum tempo foi uma chama incontrolavel.

Voltamos para casa como se voltassemos de uma guerra. Nossas esposas/namoradas não estão mais conosco, nossos filhos não nos reconhecem como pais, nossos carros estão empoeirados e com a bateria descarregada, a decoração está diferente, a sua conta bancaria não está tão gorda como você desejaria que estivesse... E você pensa que merece alguma coisa por todo o sacrificio que fez. Mas a vida olha pra você e com desdém lhe faz a seguinte pergunta:

Quem disse que você merece alguma coisa?

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"Esta noite a maioria das pessoas chegará em casa com cães pulando e crianças gritando. As esposas perguntarão como foi o dia e à noite todos adormecerão. As estrelas sairão de seus esconderijos diurnos. E uma delas, a mais brilhante de todas, será a ponta da asa do meu avião."
Ryan Bingham, personagem de Jorge Clooney no filme Up In the Air

    

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Quero fazer uma homenagem ao meu time do coração

O que paga a experiência de estar ao lado do seu time do coração quer na vitória, quer na derrota?
A ôla...?
A corrente humana...? 
O hino...? 
A torcida organizada...?
O grito de gol (sem duvida o melhor)...? 
A vitória...?
A taça...?
Todas as alternativas juntas numa grande emoção...? 

Ou uma história construída pelo povo...? 

História essa que se confunde com a história do operário, do imigrante, da construção desta cidade que alavancou um país de dimensão continental... 

Projeção de sua origem, hoje o Corinthians está se tornando um dos símbolos do desenvolvimento econômico, social e cultural do país. Não me critiquem... o que acontece no futebol é puro reflexo do rumo do país. Se um time do povo se torna o maior time de um país, não apenas por suas conquistas, mas pelo que ele representa, significa que este é o time do país. 

De Neco, o primeiro craque, aquele que pôs o timão no mapa do Campeonato Paulista em 1914, passando pelo Dr. Sócrates, o representante popular das "Diretas Já!" na década de 80, e culminando em Ronaldo em 2009, o pioneiro de muitos outros ilustres jogadores brasileiros com reconhecimento mundial, que voltam pra casa pra emprestar seu carisma e amor ao clube, todos trazem o sonho de um país possivel onde perambulam figuras "galáticas" mescladas com o povo. Não no Morumbi onde parecem distantes e intocáveis... mas no Pacaembu onde podem ser tocados e tocar o coração dos torcedores.

Vai lá mosqueteiro... 100 anos de idade "en garde", lutando e defendendo o coração do povo paulista e do brasileiro que busca inspiração.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Crônica de uma morte anunciada, ou, o outro lado de Cartagena

Se atirou!

Desceu e subiu a escadaría duas vezes. Isso disse o taxista, que chegou a oferecer seus serviços a ela, mas ela lhe deu as costas sem lhe responder. Voltou a subir as escadas outra vez em direção à portaria e entrou. Já não tinha a mesma juventude e as curvas já não a ajudavam mais a conseguir trabalho. "Ya no vendía!" me disse o taxista. Já não era a primeira vez que apresentava transtornos. Já havia cortado os pulsos meses antes.

Era mais ou menos 5:10 da manhã de segunda-feira 09 de Agosto. A essa hora a luz do dia já se extendendia pelo céu, iluminando as ruas e os edifícios. A angustiante sensação de que o fim de semana ja não tinha mais volta e que a semana entrante não traria dias melhores voltava a inundar o seu sentimento. Completamente alcoolizada, procurava não pensar muito para que não se arrependera. Na verdade já se arrependia de ter continuado nessa vida há muitos anos.

Não importava o quanto fosse profissional, tudo em sua vida precisava ser feito com paixão, ou não seria fruto do seu melhor. Esse era o melhor que tinha a oferecer. E talvez esse melhor já não fosse bom o bastante. Não havia mais como evitar envolvimentos. Muitas como ela iniciaram sua carreira sem envolvimento, mas à medida que envelheceram já não puderam mais evitar o peso da solidão. Andava triste porque já não encontrava a correspondência que procurava. E junto daquelas que possuem os cortes mais profundos da alma, tomou a única decisão que aliviaria a sua dor de imediato.

Não titubeou mas não se lançou de primeira. Preferiu subir no parapeito da janela e se atirar em pé. O frio gelado na barriga, nos poucos segundos da queda, distraíu-a das lembranças que podiam fazê-la se arrepender. O som da sua queda foi chocante o suficiente para que os poucos taxistas e comerciantes que ali estavam se voltassem e ficassem estarrecidos com a cena. "Quien la tiró?" foi o que pensaram inicialmente.

Já era 5:30 da manhã e o bairro começava a despertar. Em 30 minutos os moradores estariam na rua e fariam alvoroço sobre o acontecimento. A polícia comunitária que estava há poucos metros dali, logo isolou o lugar até que chegassem os perítos em criminalística.

Para os turistas não passava de uma cena incomum a ser contabilizada como mais um acontecimento turístico. A imprensa marrom estava lá buscando o melhor enquadramento. Ninguém podía se compadecer de verdade. Somente suas companheiras que a conheciam e que estavam sempre por perto. Essas que por poucos momentos choraram e que logo trataram de respirar fundo e tocar a vida seduzindo e se deixando seduzir por falsos sentimentos.

Eu mal tinha tomado o café da manhã. Ainda mastigava uma fatia de pão descendo pela escadaria do edificio em frente ao dela. Meu primeiro contato visual foi com carros de polícia e com os porteiros do meu edificio, aglomerados na porta. Na cara deles se via o horror de haver presenciado e escutado a cena. Me detive na metade da escadaria ao ver o corpo extendido no meio da calçada. Já não consegui mais engolir o último naco de pão que me restara. Na minha cabeça só martelava a frase: "Bem vindo à realidade. Acabou o encanto!"

Crônica baseada em um fato real ocorrido na semana passada aqui em Cartagena, no edificio em frente ao meu.

Crônica de Uma Morte Anunciada é o título de um livro do escritor, jornalista e Nobel da Literatura de 1982, Gabriel Garcia Marquez.

domingo, 15 de agosto de 2010

Cartagena, Colombia

Centro de Convenções de Cartagena
Cartagena de Indias é, a principio, uma cidade deslumbrante, cativante e quente, que exala seu ar de guerreira e destemida por todas as esquinas, fruto do seu notável desempenho heróico na região sul do mar caribenho. Foi alvo de invasões piratas e palco de guerras sangrentas por muitos séculos e se protegeu da hostilidade cercando-se de muralhas e canhões. Em seus muros e castelos, hoje cenários de filmes hollywoodianos, entre eles "Amor nos tempos do Cólera", com Javier Barden, transpira a saudade da pátria madre Espanha e, sendo uma bahia como a sua irmã gêmea Cartagena de Levante, não tardou em ser chamada Cartagena de Poniente. Filha especial da Coroa Espanhola, recebia a nata da sociedade espanhola e, não fosse pela quantidade de indios e negros caribenhos que nos cercam, por momentos chegariamos a sentir-nos na Europa.

Muitas guerras, invasões e anos depois, Cartagena continua sendo o centro portuário do Caribe, sendo umas das mais econômicas opções para distribuição de produtos por toda a América do Sul, para quem não precisa utilizar o caríssimo acesso ao Pacífico pelo Canal do Panamá. O porto se expande por toda a costa da cidade, onde empresas de logística povoam toda a paisagem. O Direito Marítmo e Naval é uma concorrida opção entre os universitários que buscam especialização.

Herdando a cultura das históricas cidades portuárias, o povo da cidade segue encantando e sendo encantado pelos marinheiros visitantes que inundam a cidade em cada navio estrangeiro que se aporta. Antenadas, as mulheres se oferecem por todos os lados e, quando não o fazem, não é muito incomum, ao se aproximar de uma, que em poucas trocas de palavras ela esteja lhe oferecendo seus serviços. Para elas é símbolo de estatus e poder caminhar ao lado de homens vestidos com as fardas brancas dos marines. Além dessas, existem as estudantes universitárias que, durante as férias de Julho, se divertem com os marinheiros em "rumbas" barulhentas e intermináveis.

Capital da Miss Colombia, cujo Centro de Convenções de Cartagena elege anualmente a representante da beleza colombiana, ainda conta com eventos focados em Sailing, como o Sail Cartagena de Indias 2010, onde os "buques", barcos ou navios, de vários países Europeus, Norte Americanos e Sul Americanos, velejam até a cidade e se transformam em centros turísticos, trazendo um pouco da culinária, da música e da história de seus respectivos países.


Quer badalar? 

Os Chivas são os ônibus turísticos tradicionais
Uma das atrações mais interessantes é a Rumba en Chiva tradicionamente colombiana e que existe em outras capitais do país. Trata-se de um ônibus que te leva para um city-tour noturno (existe o diurno também mas com foco em pontos históricos) e que termina numa balada típica cartageneira. Durante o passeio uma banda toca música e lhe oferecem Cuba Libre na faixa, que é o famoso Ron com Coca-Cola.

Mas se você não quer dar uma de turista, e vai passar mais tempo na cidade, os melhores lugares pra badalar estão na cidade histórica. Você pode andar pela Calle Arsenal, ou La Avenida, ou ir ao famosíssimo Cafe del Mar, ou à boate Fragma, ou mesmo ao Babar (que mesmo sendo mais família e acolher o publico na casa dos 30, é tão bom quanto o Fragma), Mr. Bavilla se quiser encontrar a juventude cartagenera e, se ainda não estiver satisfeito, se pode fazer um "tempo extra" em baladas que iniciam às 3 ou 4 da manhã e dali, por certo, você não sairá sozinho se por acaso assim estiver.


Na busca por inspiração e magía

É na cidade histórica que se encontra também a casa do famoso Prêmio Nobel da Literatura de 1982, Gabriel Garcia Marquez, o "Gabo". É maravilhoso encontrar-se  nos cenários que são fonte de inspiração de seus romances e crônicas típicas do Realismo Mágico. Vivo na esperança de um dia poder visitá-lo e tomar um café colombiano (um dos melhores do mundo) com esse que parece ser um ser humano extraordinário.


Sou mergulhador, e ai?


Mas, se você vai pra passear, o melhor de Cartagena não esta no continente. Um conjunto de ilhas não muito distantes da costa são o verdadeiro foco do turismo na região. Se você gosta de mergulhar existem vários pontos famosos: as Islas del Rosario, a Isla de Barú y Providencia. Eses son algunos de los mejores lugares para se fazer snorkel, ou "buceo" (mergulho). Se por acaso você não tiver licença para mergulhar, é comum encontrar escolas de mergulho que te dão a certificação internacional por um preço de até 400 dólares. São quatro dias de aula sendo dois dias para aulas teóricas e dois dias para aulas práticas. Para chegar nas ilhas é necessário gastar em torno de 40 a 50 dolares por pessoa para um passeio de 5 a 7 horas. No barco oferecem almoço e por isso pagar mais caro significa garantia de bons serviços e boa comida.


Onde se hospedar? 


Hotel 5 estrelas em Boca Grande
Por aqui, hotéis bons e com água quente são caros, mas dependendo do tempo de estadía vale apena. Se for um tempo longo, melhor que se alugue um apartamento na região de Boca Grande, ou El Laguito, ou até mesmo no Castillo que são bairros modernos onde se concentram os serviços turísticos. Além disso são seguros e próximos da cidade histórica.


Hmm... que cheiro bom é esse? Vamos comer?


Lounge do Club de Pesca de Cartagena
Na cidade histórica existem muitos restaurantes bons. Na região de Boca Grande estão os mais comerciais e turísticos. Entre os mais recomentados estão o El Santisimo (indicado pelo New York Times) e o Club de Pesca de Cartagena. O primeiro fica no centro histórico e o segundo fica no bairro de Manga, bairro tradicional onde moram os cartagenenses de familia tradicional. Sem dúvida o melhor. Além desse tem os restaurantes Mar de las Antillas, La Cosina de Socorro, Portón de Santo Domingo e La Langosta.

E o que eu devo pedir? Se você esta numa cidade costeira nada melhor que ordenar peixes e mariscos. Lagosta, langostinos, ostras, patas de caranguejo, camarão, bem como peixes como a Corvina, o Sierra, o Dorado, entre outros, muitos deles cobrados por grama. Mas vale apena pagar o preço. Festivais de mariscos e peixes são pratos recomendados, mas o prato "Tipico Cartagenero" deve ser provado pelo menos uma vez: um peixe inteiro (dos citados acima) frito, com arroz com coco queimado (doce), acompanhando salada e patacones (banana da terra verde frita e amassada em rodelas).

Além de peixes e mariscos, se deve provar as Arepas de Queijo (curado) e de ovos. Definitivamente uma delícia.

De sobremesa os doces tipicos da região que em sua maioria são baseados em frutas tropicais como o coco por exemplo. Arequipes são doces de leite deliciosos e podem ser comprados no mercado.

Alem de Cartagena outras cidades da região merecem uma visita: Santa Marta (cidade onde os chefes de Estado costumam se reunir), Barranquilla (cidade de nascimento da cantora Shakira) e San Andres.

Em outros posts comentarei de outros países que visitei ou morei a trabalho.